
O balanço divulgado pelas autoridades de gestão de crises de ambos os países confirmou que as inundações na fronteira entre a China e o Nepal já provocaram 1.318 óbitos e deixaram 5.624 desaparecidos. No território tibetano, o governo chinês notificou 31 mortes e 531 pessoas sumidas. No Nepal, o impacto foi expressivamente maior, contabilizando 1.287 vítimas fatais e 5.083 sem paradeiro conhecido.
Em meio ao rastro de destruição, equipes do Exército nepalês conseguiram retirar com vida dois operários que estavam soterrados em um túnel da usina hidrelétrica Trishul 3A havia nove dias. As imagens da operação registraram um dos trabalhadores, coberto de lama, sendo carregado nos ombros pelos militares. Ambos receberam os primeiros socorros imediatos e seguiram de helicóptero para um hospital em Katmandu. Representantes do governo acreditam que outros operários possam ter sobrevivido no interior da estrutura e mantêm as buscas em andamento.
A catástrofe teve início no dia 26 após o colapso de uma geleira nas imediações do pico Langtang Lirung, no Nepal. O desprendimento massivo de gelo e rochas desencadeou uma avalanche violenta que represou o rio Lhende Khola.
A barreira natural acabou cedendo, liberando uma torrente de lama, entulho e água que percorreu cerca de 20 quilômetros. A força da enxurrada devastou comunidades rurais, pontes, rodovias e estruturas de energia nos dois territórios, atingindo de forma severa o posto aduaneiro de Gyirong, no Tibete, principal rota comercial entre os dois países.