Município tem saldo positivo de emprego em 2020, mas vive escassez de técnicos para as demandas de trabalho

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Emprego até que tem, apesar da pandemia. Mas falta gente qualificada, especialmente com conhecimentos técnicos. Esta é a realidade presente no ano de 2020 em Cerejeiras.
 
Segundo a Secretaria do Trabalho do Brasil (antigo Ministério do Trabalho), o município de Cerejeiras teve um saldo positivo de 48 empregos formais gerados entre janeiro e outubro de 2020.

Num ranking com os 52 municípios de Rondônia, Cerejeiras ficou em 18º lugar no saldo positivo na relação entre contratações e demissões no ano passado.

Esta é, portanto, uma boa notícia.

O problema, no entanto, é que faltam trabalhadores qualificados em áreas técnicas no município.

Empresários e produtores rurais, por exemplo, que são os dois maiores empregadores no município, têm dificuldade de encontrar eletricistas, pedreiros, encanadores e outros trabalhos chamados “técnicos” – aqueles que não exigem uma formação superior, mas que demanda certo conhecimento qualificado.

Um médico do município, para citar um exemplo, disse ao FOLHA DO SUL ONLINE que tentou contratar um encanador para arrumar o banheiro de casa. “Desisti. Eu mesmo meti a mão na caixinha de água do vaso sanitário e arrumei”, disse o médico. E desabafa: “Os jovens só pensam na tal da faculdade. Ninguém quer fazer um curso técnico. Prefere fazer uma faculdade qualquer e ganhar R$ 2 mil por mês do que fazer um curso técnico e ganhar R$ 4 mil”.

Por outro lado, os poucos profissionais técnicos disponíveis ainda trabalham com certa dificuldade de cumprir horário, garantir a qualidade do serviço ou entregar o que prometeu. Uma moradora cerejeirense conta que, volta e meia, tem problemas com pedreiros e eletricistas porque quase sempre algum deles “fura” com ela – em outras palavras, não cumprem com o combinado.

Com essas dificuldades, o município de Cerejeiras demonstra dois potenciais.

Em primeiro lugar, demostra que é um campo fértil de trabalho para quem quer exercer uma profissão que pode dar uma boa renda (um bom eletricista ou um bom pedreiro pode ganhar, facilmente, de R$ 4 mil a R$ 5 mil mensais no município, segundo alguns profissionais desta área ouvido pelo FOLHA DO SUL ONLINE).

Há diversas construções civis no município, como edificações de residências, prédios comerciais e secadores agrícolas. Recentemente, por exemplo, a Copama, uma cooperativa de produtores rurais, construiu um secador em Cerejeiras e demandou 30 empregos diretos por um período de um ano e meio, contratando desde pedreiros a eletricistas. (A foto que ilustra esta reportagem é de trabalhadores no canteiro de obras do secador da Copama).

Por outro lado, o município demonstra também que pode estar clamando por cursos de formação técnica, como os do SENAI.

Em 2014, houve uma leva de trabalhadores formados pelo antigo Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), um programa do Governo Dilma e executado pelo SENAI e no qual o município foi contemplado. Até hoje alguns dos profissionais formados naquela época ainda trabalham em Cerejeiras.

Depois, por volta de 2015, a Câmara Municipal de Cerejeiras fez uma parceria com o SENAI e ofereceu cursos de pedreiro, mecânica, costura industrial, dentre outras formações técnicas.
Agora, o município de Cerejeiras continua sendo um campo propício para profissionais que queiram se qualificar e trabalhar – ao mesmo tempo em que exige das autoridades políticas novas iniciativas que formem trabalhadores para aproveitar esta oportunidade.

Por Folha do Sul/Rildo Costa